|
José
Luiz da Luz
Ponta
Grossa / PR
Murmúrio
A lua guardou no espelho do seu brilhar,
o retrato noturno dos sonhos de alvor.
E chora silenciosa, gotas de luar,
reluzindo de prata as feridas de amor.
Ouço o soluço nas sombras
serenas,
que trazem as noites de ventania.
Cerra o luar, uma nuvem apenas,
abrindo a ferida que se escondia.
Que cálidos medos,
nesta escuridão!...
Desbrava os segredos,
do meu coração
Como o silêncio da noite é
tão barulhento!
Pairam lembranças, incandescentes, quebradas,
como as estrelas cadentes num céu nevoento,
que não beijam o chão, a não ser, já apagadas.
Queria
ao menos a prata dos luares,
que pinta a ilusão da noite anelante.
Que faz o espelho das vagas dos mares,
para refletir a estrela distante.
Lua, navegando,
não se esconda assim!
Nas nuvens, sonhando.
Tem pena de mim!
| |
|