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Danilo
Bandeira dos Santos Cruz
Cândido
Sales / BA
Bezerro
ou cachorro?
Existia
um bezerro na Fazenda Enredo, localizada no sudoeste da Bahia, que
era, na verdade, um cachorro. Inicialmente não se percebia
o engano. Ele tinha quatro cascos, um rabo com rabicho e uma testa
típica de um boizinho novo. Mas, com o amadurecimento biológico
do animal, suas características comportamentais revelaram:
era mesmo um cão.
Bezerro não podia ser, pois o bicho quase nunca era encontrado
junto com os bois e vacas. Muito pelo contrário. Se alguém
quisesse encontrá-lo tinha que ir mesmo era às proximidades
da casa do administrador. Lá, em muitos momentos, o estranho
animal podia ser visto se alimentando do resto de comida deixado pelos
inconfundíveis caninos. Além disso, os gatos quando
percebiam a sua presença saíam atabalhoados de medo,
saltando todos os obstáculos encontrados pelo caminho. Era
uma loucura.
Vê-lo chicotear, com o seu enorme rabo, as moscas que o perturbavam
enquanto buscava um tranqüilo cochilo, era encontrar indícios
de estranheza. Acrescenta-se ainda, o fato do bicho adorar brincar
com crianças, principalmente quando o objeto da brincadeira
era uma bola. Corria desengonçado, tentando acompanhar o percurso
do brinquedo, enquanto os seus companheiros de diversão, o
seguiam contentes e sapecas. Mas, com tudo isso, ainda não
se podia afirmar indubitavelmente que aquele bezerro era um cachorro.
A prova mais contundente do grande engano estava numa doença
detectada a partir de contínuas observações.
O bicho desde que nasceu não parava de babar. Várias
providências foram tomadas, inclusive a aplicação
de diversos medicamentos. Entretanto, a baba permanecia. Os veterinários,
muito experientes, comprovaram: O bezerro era mesmo um cão.
E, além de tudo, estava com raiva.
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